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quarta-feira, 20 de junho de 2018

O Traço moderno da Arquitetura Religiosa Paulista, um mestrado relevante

O Traço moderno da Arquitetura Religiosa Paulista é o título de uma tese de mestrado defendida pelo Márcio Antônio de Lima Junior, para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - USP.

Conheci o Márcio na Aliança Bíblica Universitária a alguns anos atrás, sempre que eu encontro bato um bom papo, entre o pessoal da ABU, ele por mais que seja presbiteriano é nosso "consultor da Santa fé, como falamos de forma descontraída e brincalhona em nossos encontros,  devido ele  t ser um excelente profissional na área de conservação e restauração de igrejas, católicas, atualmente trabalha para Arquidiosese de São Paulo. 

Sua tese é de relevância pois ele trouxe uma discussão até então esquecida no mundo acadêmico, a arquitetura religiosa moderna do século XX, muitos estudiosos acreditaram no declínio da religião cristã, o que de fato  aconteceu em diversos países, porém o Márcio através de uma pesquisa apurada mostrou o florescimento da religião através das arquiteturas modernas religiosas do século XX, citando alguns templos protestantes e católicos como exemplo. Sua tese de mestrado possuí 299 páginas, então cabe aqui apenas apresentar ao leitor, leia o resumo:

Basicamente na base filosófica e histórica da Modernidade existe uma acentuada separação, entre a matéria e o campo mais difuso dos sentimentos e do “espírito”. Esse dualismo também se estenderia para o campo artístico, que na arquitetura se caracterizaria na produção de projetos onde se valorizava a resolução de problemas de ordem funcional e técnica. No entanto, a arquitetura do século XX se conformaria como algo maior do que as preocupações estritamente funcionais, os próprios arquitetos precursores da Modernidade não criam que as formas simplesmente seguissem a função ou se deduzisse delas.  
O projeto de secularização existente na Modernidade, que visava uma sociedade baseada unicamente num modelo de racionalidade estrita não se cumpriu. O que se viu foi a continuidade de solicitação de um programa aparentemente mais voltado para questões de ordem poética e metafórica, como é o do espaço sagrado, mesmo reconhecendo que ele não mais ocuparia o centro das preocupações plásticas do século XX. Guiados por esse contexto, o estudo apresentado trata da produção da Arquitetura religiosa desenvolvida no cenário moderno paulista, identificando as continuidades, as rupturas e as novas apropriações no campo formal, funcional, litúrgico e simbólico.

A identificação de diversos projetos de templos cristãos paulistas afinados com a linguagem moderna possibilitou relacionar tal produção com o processo de modernização iniciado na primeira metade do século XX, bem como analisar os projetos arquitetônicos importantes para as mudanças ocorridas no estado da arquitetura sacra. Tais projetos demonstram grande sensibilidade, ao trabalhar com formas puras, justificando dentro de um espectro estético e poético a integridade do traçado geométrico das linhas simples e abstratas para o Templo moderno.
Os diversos arquitetos paulistas evidenciam em sua produção religiosa um engajamento com o projeto do espaço sacro onde é possível constatar a tradução dos pressupostos da Arquitetura Moderna para o tema. Uma construção historiográfica de base crítica orienta o trabalho, que juntamente com a apresentação de projetos pouco conhecidos, reconhece e posiciona tal produção como programa pertencente ao ideário do Movimento Moderno.
Discute-se também as razões e significados formais na construção do espaço sagrado, propriedade resgatada pelos arquitetos modernos, que constantemente eram solicitados para resolver programas como este. O percurso do traço moderno recortado pelo viés religioso procura assim contribuir para um debate arquitetônico mais amplo entorno das questões relativas à historiografia da arquitetura moderna.

domingo, 15 de abril de 2018

As contradições dos políticos evangélicos na defesa da Familia e corrupção

A bancada evangélica, expressão usada para definir políticos que foram eleitos com apoio de suas respectivas igrejas ou do publico evangélico, está dividida entre diversos partidos políticos, normalmente de centro e direita.

Uma das principais atuações  é no forte cunho de defesa  da moral cristã junto com a sociedade brasileira, indo contra  o aborto e no passado contra a regulamentação da união homoafetiva e  sua transformação em casamento, fez contraponto também aos diversos conceitos de família, é uma combatente a políticas públicas de idelogia de gênero. 

Por outro lado alguns de seus representantes possuem uma vida vamos dizer, que não condiz com um testemunho genuinamente cristão quando o requisito é família, corrupção e direitos ambientais 

Os que discursam sobre família cristã , mas não  vivem o discurso

O Senador Magno Malta é um deles, casado pela segunda vez com a cantora e deputada Federal Lauriete, que também foi casada  durante 20 anos com um outro deputado federal, que também era pastor, os dois defendem hoje a família cristã tradicional, porém pelo que parece fizeram uma revisionismo bíblico para estarem casados conforme diz a Bíblia: 

"E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera." (Marcos 10:12)  e "Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério." (Mateus 19:9)

Este comportamento não é só dele, o Pr. Everaldo,  candidato a presidente pelo PSC em 2014, conhecido pelo  discurso "Homem + Mulher = Família", em 2012 foi condenado na primeira instância a pagar para a ex-mulher, Katia Maia, uma indenização de cerca de 85 mil reais por danos morais e materiais. Pastor Everaldo reverteu a decisão no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e o caso aguarda a decisão de instâncias superiores. Em 2013, a ex-mulher de Pereira levou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) um novo processo em que acusa o pastor de agressão física, seguida de ameaça de morte. Katia Maia relata que durante as agressões houve "chutes e socos, o que causou a perfuração da [sua] membrana timpânica". Pereira, no entanto, diz que agiu em legítima defesa depois de uma perseguição de carro pelas ruas do Rio de Janeiro.


E não para por ai, um dos nomes para  candidato a presidente, Jair Messias Bolsonaro, que não faz parte da bancada evangélica, por ser católico,  mas também é um grande defensor da família tradicional cristã, já está em seu terceiro casamento com a evangélica Michelle, celebrado pelo famoso televangelista Pr. Silas Malafaia.

Corrupção

Existem também aqueles que respondem processo de corrupção ou que votaram contra abertura de processo de investigação do Presidente Temer, veja:

Os deputados João Campos (PSDB - GO), Roberto de Lucena (Podemos), Vinicius Carvalho (PRB) Ronaldo Fonseca (PROS), Márcio Marinho(PRB), Ronaldo Nogueira (PTB), Roberto Sales (PRB), Bruna Furlan (PSDB), Nilton Capixaba André Abdon (PRB- PA), Francisco Floriano (DEM), Ezequiel Teixeira (Podemos), Toninho Wandscheer (PROS), Leonardo Quintão (PMDB-MG), Josué Bengtson (PTB), Altineu Cortes (PR) votaram a favor do presidente Michel Temer, no processo em que se pedia abertura de investigação, e que poderia afastá-lo da presidência da república. O voto dos deputados ajudaram a arquivar a denúncia do Ministério Público Federal.


O deputado Silas  Câmara  (PSC- AM)  membro da Assembléia de Deus é acusado, no inquérito n.º 2.005, de se apropriar de parte ou da totalidade dos salários de assessores de seu gabinete e de contratar funcionário fantasma e servidores vinculados à Assembleia Legislativa do Amazonas. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público Federal em junho de 2009 e aceita como ação penal pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, em dezembro de 2010. A mesma denúncia foi desdobrada e resultou na ação penal 579, que segue em segredo de justiça no STF. Nessa ação, o parlamentar responde por crime contra a fé pública por, supostamente, ter utilizado documento de identidade falso. Em junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal recebeu, por unanimidade, denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o deputado Silas Câmara, à época no PSC, pelos crimes de falsificação de documento público e uso de documento falso (Inquérito 1695)

O deputado Aguinaldo Ribeiro (PSD), ligado a igreja batista, alem de votar a favor do Temer contra a investigação do Ministério Público, também foi acusado pelo doleiro Alberto Youssef de receber pagamentos mensais para votar com o governo do PT no Congresso e citado como integrante do esquema de corrupção na delação da Odebrecht e foi um dos nomes apontados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como supostamente parte de uma organização criminosa que atuava na Petrobras.

 O Deputado Federal Edmar Arruda (PSD), membro da IPI, foi acusado numa reportagem da revista Isto É de ganhar milhões por meio de favorecimento político da sua empresa Cantareira Construções. A revista apontou que ele percorreu municípios do seu Estado discutindo e defendo para os prefeitos projetos do programa Minha Casa, Minha Vida. A sua empresa já teria se beneficiado com cerca de R$ 65,5 milhões até 2012 com contratos no âmbito do programa do Governo Federal. Assim, segundo a reportagem, o parlamentar acumularia as funções de representante do Legislativo e lobista do Grupo Cantareira, em flagrante conflito de interesses. Ele votou a favor do Temer e contra as 10 medidas contra a corrupção.

 O Deputado Eduardo Cunha (PMDB), membro da Assembléia de Deus do Madureira, em 19 de outubro de 2016 foi preso preventivamente pela Polícia Federal na Lava Jato,[12] e em março de 2017 foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em 18 de maio de 2017, teve um novo mandado de prisão expedido pela Justiça.

 O deputado Washington Reis,(PMDB) em dezembro de 2016 foi condenado unanimamente pelo Supremo Tribunal Federal a sete anos e dois meses em regime semi-aberto por crime ambiental, além de multa no valor de 67 salários mínimos. Foi condenado pela divisão de terrenos para a construção de um loteamento em Xerém, no entorno da Reserva do Tinguá, obras iniciadas em 2003 e que incluíram corte de vegetação em encostas e área de preservação permanente e a terraplanagem em beira de rio. Ignorou autos de infração e embargos às obras, a demonstrando sentimento de impunidade e desrespeito às autoridades ambientais

 O deputado Onyx Lorenzoni (DEM), membro da igreja Luterana foi citado em depoimentos de delatores da Odebrecht, meses depois, também foi acusado, agora nas delações da JBS, de receber "caixa 2" daquela empresa. À RBS TV, Lorenzoni assumiu a irregularidade, justificando que "não tinha como" declarar o valor na Justiça Eleitoral, e que a cifra teria sido inferior aos R$ 200 mil citados por Saud.


domingo, 30 de outubro de 2016

Minhas ressalvas com as Igrejas em Células

Quantos de nós cristãos ou não já foram convidados a ir na casa de um conhecido ou amigo, onde irá  ocorrer um culto cristão com mais ou menos duas ou três canções, uma palavra, normalmente a mesma pregada no último domingo na igreja e depois comes e bebes. Creio que todos já participaram deste ambiente,  no qual considero muito edificante e gostoso de participaar, pois aumenta a comunhão entre os irmãos. Gostaria que cada leitor que estiver lendo este texto não entenda que eu sou contra as células, pelo contrário acho ela um ambiente cristão acolhedor, todavia tenho algumas ressalvas ao observar sociologicamente as consequências macro  na igreja brasileira. 

O termo "célula", referência aos cultos nos lares, surgiu no final da década de 90 e começo dos anos 2000 por um movimento que veio como uma avalanche na igreja brasileira, chamado G12,  já escrevi uma matéria sobre os perigos do G12 para a igreja chamado a "Igreja judaizante de Gálatas e o G12", onde apontei as teologias pregadas no Brasil e o estrago que fez a nossa Igreja, todavia alguns pontos positivos ficaram como as "células". As mesmas reuniões cristãs nas casas, também não são um modelo de igreja apenas de nossa geração, isto ocorreu  na igreja primitiva, segundo o relato de Atos dos Apóstolos, onde os cristãos se reuniam  em comunhão nas suas residências com o fim de aprender mais de Cristo e driblar a perseguição do Império Romano. 

Hoje no Brasil, a ideia de "células" está muito mais ligado com o secularismo e com o pós modernismo, pois muitas pessoas que nunca entrariam em um templo evangélico por puro preconceito, podem apreender da Bíblia e quebrar seus paradigmas ao se relacionar na casa de amigos com outros cristãos. Pois então, e as ressalvas deste lindo trabalho nas igrejas?

Primeiramente gostaria de apontar que, com o desgaste do G12, foram criadas algumas ramificações de igrejas em células, em especial gostaria de citar duas, o G5 e o MDA. 

 O G5  que é um modelo que cria a cada cinco células um supervisor de célula - este foi implantado mais em igrejas históricas, não há tanta cobrança de multiplicação de células ao atingir o número de 12 pessoas e também não existe este "sopão amargo" teológico do G12. 

Outro movimento que surgiu foi  MDA - Modelo de discipulado apostólico, este movimento, tem muitas semelhanças com o G12, vamos dizer que é a versão mais "light", mas que ainda possuí severas críticas, a maioria das igrejas que aderem, são comunidades neopentecostais ou igrejas independentes (isto é não filiada a nenhuma denominação). A promessa de multiplicação é feita aos pastores assim como no G12, nos congressos os palestrantes são de igrejas "que deram certo", ou que "implantaram corretamente o sistema", eu sinceramente acho muito fácil de 10.000 igrejas que possuem o sistema ,umas 100 se tornaram mega igrejas fazerem este discurso   "arrebatador" sobre o movimento, até porque  muitas já eram igrejas grandes. Mas as minhas críticas são mais profundas. 

A troca do ensino sistemático da Bíblia por repetições de pregações dos cultos. 

As igrejas em células majoritariamente acabam com a escola bíblica dominical, isto cria um vácuo no ensino dos jovens e adolescentes e adultos que se convertem, pois eles não tem uma noção sistemática da Bíblia, do velho ao novo testamento, livro por livro, uma vez que as pregações de domingo são repetidas e convenhamos muitas pregações hoje nem usam a Bíblia, ou se usam, dificilmente os pastores trabalham com sequências das exposições, logo não é muito pedagógico para os membros de uma igreja, apreender esta semana sobre "a quarta trombeta do apocalipse", e na semana seguinte sobre um trecho do livro de Amós. No final o que percebe-se nos últimos 15 anos é um distanciamento dos fiéis da palavra de Deus. Em sua maioria não sabem quantos livros a Bíblia tem, não sabem a ordem cronologica das histórias e muitas vezes não estudaram dentro da igreja os evangelhos trecho a trecho da Bíblia, criando uma lacuna que pode levar muitas igrejas a heresias e sincretismos religiosos, uma vez que ignoram as escrituras. Não estou aqui dizendo que o modelo de escola bíblica dominical é o melhor, todavia me parece que a igreja em células não supre a falta de EBD a não ser que seja dado cursos de livros bíblicos em paralelo as células. 

A igreja que só pensa em sí
Inúmeras igrejas que tinham um compromisso missionário, sustentava e enviava missionários a campo, desapareceram, uma vez que na igreja em células, o que é falado é a ideia de centralizada no seu próprio crescimento, ela não é como a igreja de Antioquia em Atos, que pensava em ultrapassar as fronteiras da cidade e alcançar as nações, ela não doa mais para fora, não se preocupa mais com os seus irmãos perseguidos, não fala em missões. Ela torna-se uma igreja vaidosa que não pensa e mais nada que é de fora e muitas ainda neste processo se torna sectária, o máximo que ela faz é "orar" quando faz uma vez por ano. 

Vendendo crescimento e aumentando a vaidade na igreja
Muitas igrejas acabam pressionando tanto os seus fiéis a abrir uma célula ou a trazer pessoas, oferecendo até prêmios ou status que os fiéis entram em uma real concorrência pelo crescimento uns com os outros, levando a membresia a intrigas e divisões. O ensino para esta liderança de célula é precário, um curso de "formação de lideres" ou uma "escola de profetas" é tido como o suficiente para abrir uma célula....o ensino destas escolas normalmente é raso, pouco aprofundado, totalmente dependente do esboço esmiuçado do pastor. Não é apresentado nenhuma técnica de Estudo Bíblico Indutivo, ou então de solução de conflitos ou mesmo um estudo sistemático da Bíblia. Uma liderança mal formada com certeza pode causar problemas, muitas igrejas também não se preocupam em verificar o caráter do líder, se ele é novo na fé ou não...uma pena

A idolatria ao modelo 
As vezes observo as igrejas na rua, tem umas que colocam o nome da igreja e em baixo colocam "Visão em células - MDA", fico pensando como isso é digerido por uma pessoa não cristã..."será que eles estudam biologia na igreja - célula - MDA/RNA/DNA"...rs..brincadeiras a parte isso gera uma idolatria ao método e uma futura frustração aos pastores que implantam o sistema e não vêem nenhum "milagre de multiplicação" em suas congregações. Sinceramente penso que uma igreja que produz frutos é uma igreja baseada em um ensino correto das escrituras, que tenta se afastar das vaidades humanas e que possuí os frutos do Espirito Santo, amor, misericórdia, cuidado com os pobres e as viúvas, foco e sensibilidade cultural no lugar que ela está inserida, enfim isso é matéria para outro artigo.